Meu primeiro trabalho foi como fotógrafa de still do longa metragem “Iremos a Beirute”, rodado no nordeste do Brasil, em 1997. O diretor de fotografia era Mário Carneiro, parceiro de Glauber Rocha e um dos diretores de fotografia marcantes do Cinema Novo. Essa experiência fez valer a decisão que eu havia tomado meses antes, de largar a faculdade de cinema em São Paulo, aos 20 anos de idade, para fotografar na Paraíba e no Ceará.

 Pelos 14 anos seguintes, me dediquei inteiramente à fotografia autoral, participando de exposições coletivas e publicando em revistas. Também fiz incursões no jornalismo e em sets de filmagens nesse período.

 Já em 2002, no fluxo da transição da fotografia analógica para a digital, dei início aos meus primeiro trabalhos de produção, captação e montagem de vídeos. Nesses anos, registrei o processo criativo de artistas brasileiros como Walter Silveira, Lenora de Barros, Arnaldo Antunes, Artur Lescher, o maestro regente Martinho Lutero Galatti de Oliveira e os Irmãos Campana - para estes últimos, fiz um documentário sob encomenda do Festival de Cinema de Design de Milão, chamado “Irmãos Campana, por Fernando e Humberto” (2016), que foi exibido em festivais de cinema de arquitetura e design na Europa e na Ásia. 

 Em paralelo, mantive trabalhos de linguagem jornalística realizados para Organizações Não-Governamentais de Direitos Humanos, como a Conectas e a Ponte Jornalismo, e voltei a estudar cinema, frequentando o atelier de documentário na EICTV de Cuba, participando do Rough Cut Lab DocMontevídeo, com Lauro Escorel e João Moreira Salles, e do Rough Cut Lab DocSãoPaulo, com Karem Akerman, entre outros. 

 Ao longo desses anos de trabalho audiovisual, meu interesse migrou para o processo de montagem, no qual me especializei e ao qual dedico hoje meu maior investimento.

Atualmente morando em Paris, trabalho no processo de edição de meu registro mais recente, sobre os bastidores de uma série de concertos de um coro ítalo-brasileiro em turnê pela Índia, onde os músicos e cantores realizaram a primeira apresentação pública do Requiem de Mozart.
Associei-me à Cinemateca Francesa - uma verdadeira escola aberta -, onde venho acompanhando de perto a programação regular, as mostras de filmes, as aulas e os debates.

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My first job was as a still photographer for the feature film “Iremos a Beirute”, shot in northeastern Brazil in 1997. The director of photography was Mário Carneiro, Glauber Rocha's partner and one of Cinema Novo's defining cinematographers. This experience was well worth the decision I had taken months earlier to drop out of film school in Sao Paulo, at the age of 20, to shoot in Paraíba and Ceará.

 For the next 14 years, I completely devoted myself to authorial photography, participating in group exhibitions and publishing my work in magazines. I also delved into journalism and film sets during this period.

In 2002, in the flow of the transition from analogue to digital photography, I started my first video production, capturing and editing work. I recorded the creative processes of Brazilian artists such as Walter Silveira, Lenora de Barros, Arnaldo Antunes, Artur Lescher, conductor Martinho Lutero Galatti de Oliveira and the Campana Brothers; for the latter, I made a documentary upon request for the Milano Design Film Festival entitled “Irmãos Campana, por Fernando e Humberto” (2016), which was screened at architectural and design film festivals in Europe and Asia.

 In parallel, I did some journalistic work for nongovernmental human rights organizations, such as Conectas and Ponte Journalismo, and went back to studying cinema, attending the documentary workshop at EICTV in Cuba, participating in Rough Cut Lab DocMontevideo  with Lauro Escorel and João Moreira Salles, and Rough Cut Lab DocSãoPaulo with Karem Akerman, inter alia.

 Throughout these years of doing audiovisual work, my interest has shifted to the editing process, in which I majored and to which I dedicate my greatest investment today.

 I currently live in Paris, where I am working on editing my most recent project, the backstage happenings of an Italian-Brazilian choir’s concert series tour in India, where musicians and singers carried out the first public performance of Mozart's Requiem.
I have joined Cinémathèque Française - a veritable open school - where I have been closely following the regular programming, film screenings, classes and discussions.